domingo, 31 de maio de 2009

Curso de Linguagem Fotográfica

Uma viagem através da formação da Estética fotogáfica estudando a vida e obra de fotógrafos como John Thomson, Jacob Riis, Lewis Hine, Edward Curtis, Charles Marville, André Kertész, Dorothea Lange, Helen Levitt, Margareth Bourke-White e muitos outros...
Palestras, apresentações e workshop prático fotografando de forma documental.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Berenice Abbott

Berenice segue os passos de Atget em seu retorno a NY e começa a documentar as transformações urbanas pelas quais a cidade esta passando.

Retrato de Berenice Abbott

Berenice Abbott retratada por Man Ray.

Eugène Atget



Eugène Atget 1856/57? - 1927

Atget que se considerava um fotógrafo documental, precocemente adota uma postura fotográfica que foge aos padrões estéticos de seus colegas. Já apresenta em seu trabalho a abordagem "direta" rompendo com a estética "Pictorialista" predominante. "Descoberta" de Man Ray e Berenice Abbott acaba por gerar profunda influência no trabalho de ambos.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

"A Complicada Arte de Ver"

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.
Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem.
"Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".
Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como no poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...
RUBEM ALVES
texto acima foi em parte extraído da seção "Sinapse", jornal "Folha de S.Paulo", versão on line, publicado em 26/10/2004.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Exposição de Marco Diniz

Marco Diniz é um fotógrafo que enxerga através da alma; espírito sensível, olhar denso e ousado, expoe mais uma vez suas imagens cheias de transgressão e beleza.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

FOTOS AUTORAIS

David Aguilar - Berlin Rathaus 2008

GALERIA DE ALUNOS


PICTORIALISMO: Michelle Antunes em exercícios pictorialistas

GALERIA DE ALUNOS

Pictorialismo: Marina Rios em exercício de criação pictorialista.

GALERIA DE ALUNOS









Surrealismo e Construtivismo: Jane Linhares, inspirando-se nos movimentos Surrealista e Construtivista.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Programação de Maio

{clique na imagem para ampliar}

Exposição - Olhar direto: fotografias de Paul Strand







Exposição da obra do fotógrafo americano Paul Strand (1890-1976). A seleção de 107 fotos apresenta uma abordagem direta da vida nas ruas da metrópole industrial, o que era incomum naquele contexto. Naturezas-mortas, closes de utensílios domésticos e máquinas revelavam um novo ponto de vista sobre o cotidiano, além de estarem estreitamente vinculadas à pintura de vanguarda de sua época, como o cubismo e o abstracionismo geométrico. Além do panorama do início de suas atividades, nos anos 1910 e 1920, destacam-se também os retratos de comunidades em diferentes lugares do globo, que o artista desenvolveu com sistemática a partir da segunda metade dos anos 1940.
Paralelamente à mostra, a programação de cinema do IMS oferece ao público a oportunidade de conhecer as três principais obras cinematográficas de que Paul Strand participou: Manhatta (1921), Redes (1936) e Native Land (1942).
A mostra é uma realização do IMS em parceria com a Aperture Foundation, instituição norte-americana responsável por preservar e divulgar a obra de Strand. Veja dias e horários mais abaixo.

Instituto Moreira Salles
De 29 de abril a 05 de julho
Terça a domingo, das 13h às 20h
Rua Marquês de ao Vicente, 476, Rio de Janeiro

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Fotografias da Coleção Auer


O Ano da França no Brasil traz a São Paulo o maior acervo privado de fotos do mundo incluindo obras de Cartier-Bresson, Brassaï, Man Ray, Geraldo de Barros e Mario Cravo Neto. A vernissage da exposição “Olhar e fingir: fotografias da coleção Auer” acontece de 22 de abril de 2009 a 28 de junho de 2009, no Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo.
A mostra tem curadoria da historiadora francesa Elise Jasmin e do jornalista brasileiro Eder Chiodetto (curador do Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM). Eles selecionaram cerca de 290 peças que narram os 170 anos da história da fotografia pelo prisma de artistas transgressores.
A exposição se divide em quatro partes
Transfigurações trabalha com obras em que fotografia, pintura e desenho convivem entre si. A técnica é praticada desde o século 19 e demonstra estudos sobre a cor realizados pelos artistas expostos.
Beleza convulsiva explora o olhar surrealista e irreverente dos fotógrafos, investigando o mundo dos sonhos, os mistérios do inconsciente, as manifestações do desejo. A esta etapa da mostra, não escapam representações de temores, como a morte.
Performances dedica-se a retratos e à relação entre fotógrafo - “diretor” - e o personagem retratado. O módulo apresenta a construção de seres ficcionais e o corpo como objeto do desejo e do erotismo.
Fantasias formais rompe com a percepção padrão de paisagem e apresenta obras que a reduzem a formas, linhas e texturas. Integram esta parte da mostra representações do corpo humano como escultura, harmonizações da natureza caótica e a fotografia documental.

A Renault de Doisneau


Robert Doisneau (1912-1994), um dos maiores fotógrafos humanistas do século XX, começou sua carreira na Renault. Tinha apenas 22 anos quando foi contratado pela empresa como “fotógrafo itinerante”, em 1934. Doisneau conhecia um pouco de fotografia, mas desconhecia o universo da grande indústria e da alta sociedade francesa. Porém, durante os cinco anos que se seguem, deixará para a posteridade um imaginário inesquecível sobre estes dois mundos que até então desconhecia. O conjunto de fotografias que realiza entre 1934 e 1939 é um testemunho precioso de uma empresa mítica e de um tempo passado
Desde o início, Doisneau é instigado por uma dupla tarefa: de um lado, registrar visualmente tudo que concerne à vida dentro de uma fábrica – assim como as máquinas, as oficinas, as linhas de montagem, os diferentes lugares e momentos da vida operária (cantina, vestiário, as saídas...); de outro, realizar as fotografias “publicitárias” destinadas a aumentar o prestigio da marca, promovendo a elegância dos automóveis Renault, associando-os às jovens e elegantes mulheres da alta sociedade da época, famosas ou não. Suas reportagens vão dar origem a um conjunto de fotografias excepcionais onde a acuidade da visão estética modernista concorre com a densidade do sentido humano. As imagens da fábrica remetem a um imaginário emocional: o orgulho dos trabalhadores, a onipresença das enormes máquinas onde o homem deve encontrar o seu lugar, e a beleza dos parques industriais. Essas fotografias de um universo laborioso demonstram, tanto quanto as fotografias publicitárias, as influências recebidas pelo jovem fotógrafo e, ao mesmo tempo, o seu precoce domínio do enquadramento e da luz. Suas fotografias mostram um só modelo de automóvel e apresentam, muitas vezes, um tratamento vanguardista da matéria do solo no primeiro plano da fotografia
Esta exposição, enriquecida de cerca de 100 fotografias, é ao mesmo tempo a história da fotografia moderna e a história de uma época, na França, que nos são mostradas através do olhar particularmente talentoso de um grande

Otto Stupakoff

Medusa, 1987 - Nova Iorque

Salvador, 1978


Jack Nicholson, em New York (1973)




Modelo, 1989 - Nova Iorque




A atriz Lois Chiles, em Paris (1975)

Morreu, aos 73 anos, no dia 22 de abril, o fotógrafo Otto Stupakoff. Celebrado como o primeiro profissional brasileiro a registrar a área de moda, o artista tinha seu talento reconhecido internacionalmente - colaborou com as revistas Harper's Bazaar, Vogue, Elle, Marie Claire, Life e Cosmopolitan. Stupakoff também se dedicou a registrar políticos, personalidades artísticas, viagens e retratos familiares. Por suas lentes passaram o dramaturgo Tom Stoppard, o escritor Truman Capote, a atriz Grace Kelly, o ator Jack Nicholson e o presidente norte-americano Richard Nixon com sua filha Julie, mas não só: também lançava sua atenção a anônimos de Salvador, Nova York, Santos, Saigon.

Um conjunto expressivo de seu olhar diversificado está reunido no livro Otto Stupakoff (Cosac Naify, 2006), organizado pelo crítico Rubens Fernandes Junior, para quem um dos méritos do artista foi construir visualidades que perturbam nossas referências de tempo e espaço. Segundo ele, "Otto era um dos poucos que trabalhavam com a fotografia de modo a ultrapassar os limites do próprio enquadramento". Para o amigo, ao deparar-se com a obra de Otto Stupakoff, pode-se entender porque a fotografia é um "privilegiado instrumento de observação da natureza humana", afirma em ensaio da edição.

O fotógrafo passou mais de quatro décadas andando pelo mundo. Nascido em São Paulo, em 28 de junho de 1935, mudou-se para Porto Alegre aos dez anos. Em 1965 foi para Nova York para depois viver em Paris, retornando mais tarde aos Estados Unidos, onde permaneceu até retornar ao Brasil, em 2005. Sua volta foi marcada por um momento de auge criativo, com colaborações para muitas revistas nacionais. Foi um dos primeiros brasileiros a integrar o acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York, MoMA.

De fevereiro a abril deste ano, o Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro expôs 65 de suas imagens. A mostra Fotografias marcou a comemoração dos cinquenta anos de carreira de Otto Stupakoff.
Otto Stupakoff